Scrapie

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O que é Scrapie?

A paraplexia enzoótica dos ovinos ou scrapie, é uma doença do grupo das Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis – EET, de caráter neurodegenerativo, progressivo e fatal, que acomete caprinos e ovinos.
O nome Scrapie vem da expressão inglesa “to scrape against
something”, que significa “esfregar-se contra alguma coisa”. A doença também pode ser chamada de prurido lombar, e acomete animais com dois a quatro anos de idade, apresentando período de incubação variável.
Existem duas formas clínicas da doença: a forma pruriginosa e a forma nervosa, de acordo com a predominância de sinais sensitivos ou motores. Dentre os principais sinais, tem-se prurido, hiperexcitabilidade, ranger de dentes, incoordenação motora e morte. A evolução da doença é lenta, levando o animal ao estado de caquexia, paralisia, movimento excessivo ou estresse ao manejo, o animal pode tremer ou cair em estado convulsivo. No cérebro foram observadas áreas de perda neuronal e ausência de resposta do sistema imunológico, além de ocorrer degeneração de tecidos de Sistema Nervoso Central.

O que causa o Scrapie?

A scrapie é causada pelo acúmulo de uma proteína anormal, denominada prion associada à scrapie (PrPsc). Esse prion é resultado de uma alteração de conformação da molécula normal, e é codificado pelo próprio hospedeiro.
O prion apresenta resistência incomum à inativação pelo calor e pela radiação ultravioleta, e é capaz de estimular a sua produção no interior da célula infectada, bem como converter a forma celular normal na forma infecciosa . A célula nervosa não consegue liberar os prions produzidos, que se acumulam, levando a uma lesão degenerativa no cérebro dos ovinos e caprinos infectados, não ocorre nenhuma resposta imune ou reação inflamatória nesses animais.
Ovinos e caprinos usualmente contraem o agente infeccioso da scrapie por ingestão de placenta ou fluidos contaminados, sendo a transmissão materna como o modo principal de disseminação do agente.
Os sinais da doença normalmente aparecem 2 a 5 anos após contato com o agente, e, até o momento, não existe vacina ou tratamento para essa doença. Existem trabalhos científicos que demonstram o caráter genético de susceptibilidade à apresentação de sinais clínicos da doença, pois algumas raças de ovinos (chamadas “cara-negra”) são mais afetadas, como Suffolk e Hampshire. Além das raças, identificou-se também os genótipos de animais mais afetados, através de seus alelos.
Um método utilizado em vários países para controle da scrapie é o melhoramento genético baseado na seleção de animais com maior resistência à apresentação clínica da doença. Porém, avanços científicos consideram que deve-se aliar métodos de diagnóstico da doença in vivo à seleção genética.

Como se prevenir da Scrapie?

A principal medida sanitária para prevenir e controlar a scrapie em um país, é a proibição da importação de ovinos e caprinos, ou outros produtos de risco para a doença, de países onde a doença é enzoótica.
No caso de animais com suspeita clínica, o serviço de defesa sanitária animal deverá ser comunicado, para que a adoção de ações específicas.
A nível de rebanho, algumas medidas adicionais podem ser empregadas, como:
– Controle do manejo reprodutivo: utilizar um local específico para
a parição, de preferência um compartimento individual com piso cimentado.
– Logo após o parto, os restos placentários devem ser retirados e
incinerados, de maneira a evitar o contato de outros animais com estes materiais.
– Manter um banco de dados sobre a entrada e saída de animais do
rebanho, o que é de grande importância para uma futura investigação epidemiológica e a rastreabilidade dos ovinos no país.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.