O trabalho desenvolvido pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado (Idaron) no fortalecimento da defesa fitossanitária da cafeicultura foi um dos destaques da solenidade de lançamento da Colheita do Café 2026, realizada na manhã da última quinta-feira (14), em uma propriedade rural modelo no município de Rolim de Moura.
O evento marcou o início de mais uma safra e reforçou o protagonismo de Rondônia no cenário nacional da produção cafeeira. Durante a programação, o gerente estadual de defesa vegetal da Idaron, Jessé de Oliveira, apresentou resultados considerados estratégicos para a segurança sanitária e o crescimento sustentável da cadeia produtiva do café no estado.
Entre os principais avanços apresentados está o controle dos nematoides das galhas, principal praga que compromete a qualidade das mudas de café. Desde 2016 foram produzidas e certificadas cerca de 133 milhões de mudas no estado. Desse total, apenas 3,97 milhões apresentaram contaminação e foram destruídas, índice equivalente a aproximadamente 3% da produção.
A atuação preventiva e o sistema de certificação sanitária garantiram segurança ao investimento estimado em R$ 2,58 bilhões na cadeia produtiva, além de evitar prejuízos diretos de aproximadamente R$ 84 milhões aos produtores rurais.

Outro destaque foi o combate às fraudes em sementes forrageiras. Conforme os dados apresentados, em 2021 Rondônia registrava índices de fraude superiores a 80%, com presença de sementes de ervas daninhas e de outras espécies muito acima dos limites permitidos, gerando prejuízo à pecuária. Em 2025, após ações integradas da Idaron com agências de defesa agropecuária de outros estados, o índice caiu para cerca de 5%.
Na área fitossanitária, a Agência também ressaltou o trabalho contínuo de monitoramento e controle de pragas de importância econômica. “Rondônia permanece livre da monilíase do cacaueiro, do HLB e do ácaro hindu dos citros, além de manter o controle da ferrugem asiática”, destacou Jessé de Oliveira.
Em relação ao uso de agrotóxicos, a Idaron informou ter implantado um sistema inédito de fiscalização e controle da comercialização desses produtos. Atualmente, Rondônia possui o único sistema do país capaz de monitorar diretamente os estoques de agrotóxicos nas revendas por meio da plataforma oficial do órgão.
Durante a apresentação, também foram apontados desafios para os próximos anos, entre eles a ampliação das ações preventivas contra a monilíase do cacaueiro, o fortalecimento da rastreabilidade da produção, a certificação sanitária e o cadastramento de produtores rurais.
A agência pretende ainda ampliar o controle sobre fraudes em sementes, expandir o programa para outras culturas, iniciar ações mais intensivas de fiscalização de fertilizantes e aumentar a segurança no uso de drones para aplicação de agrotóxicos.
Para alcançar essas metas, a Idaron defende investimentos em modernização tecnológica da defesa vegetal, com implantação de sistemas informatizados mais avançados, além da realização de concurso público para reforçar o quadro técnico da instituição.



