//Sementes de pastagens com alto índice de impureza podem disseminar ervas daninhas de outras regiões em Rondônia

Sementes de pastagens com alto índice de impureza podem disseminar ervas daninhas de outras regiões em Rondônia

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Para impedir que sementes irregulares continuem no mercado e gerem prejuízos ao produtor, a Idaron mantém fiscalização intensiva e integra a Rede Nacional de Fiscalização de Sementes.

A comercialização de sementes forrageiras irregulares tem causado, ano após ano, prejuízos milionários ao setor produtivo. Em Rondônia, o problema vem sendo gradualmente reduzido graças à atuação da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado (Idaron), que intensificou as ações de fiscalização no comércio local.

Em 2025, a agência coletou 170 amostras de sementes destinadas à safra 2025/2026. O material foi analisado em laboratórios oficiais credenciados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, onde foram verificados critérios como pureza, germinação, viabilidade e presença de espécies invasoras ou nocivas.

Do total coletado, 149 amostras já tiveram os resultados encaminhados à Idaron. Segundo o fiscal agropecuário Renê Parmejiani, responsável pelo programa de fiscalização de sementes e mudas da Agência, 14,6% dos lotes analisados apresentaram problemas relacionados à pureza.

“A realidade ainda não é muito boa; 14,6% dos lotes já analisados apresentaram problemas com pureza, sendo que, em alguns deles, foram identificadas sementes de espécies daninhas, com até 324% acima da tolerância”, destacou o fiscal.

Entre os lotes reprovados, 72 tinham origem em sementeiras de São Paulo, 48 eram oriundos de Mato Grosso do Sul e 12 do Mato Grosso. Também foram identificadas irregularidades em lotes provenientes de Minas Gerais, Goiás e Bahia, o que torna ainda mais preocupante a disseminação de ervas daninhas vindas destes estados para as propriedades de Rondônia.

O gerente estadual de Defesa Vegetal da Idaron, Jessé de Oliveira, informou que, diante dos resultados insatisfatórios, é instaurado processo administrativo para apuração da infração. “Dentro do processo, seguindo o rito legal, é oportunizado às sementeiras prazo para entrarem com requerimento de reanálise das amostras. Sendo reafirmadas as inconformidades, é lavrado o auto de infração à empresa responsável por cada lote, além da suspensão da comercialização e destruição das sementes comprovadamente fraudadas”, explicou.

Além da fiscalização nas revendedoras, a agência mantém articulação com os órgãos que integram a Rede Nacional de Fiscalização de Sementes, com o objetivo de aprimorar os procedimentos e tornar as ações mais eficientes. A troca de informações entre os estados têm contribuído para reduzir a circulação de sementes fraudadas.

O presidente da Idaron, Julio Cesar Rocha Peres, destacou que a qualidade das sementes impacta diretamente a produtividade da pecuária. “A escolha de uma semente de qualidade é fundamental para um pasto saudável, o que resulta em maior produtividade e menor custo para o produtor”, afirmou.

A Idaron também mantém cadastro atualizado de empresas e pessoas físicas — inclusive de outros estados — que atuam na comercialização ou garantia da qualidade de sementes em Rondônia. A campanha de atualização cadastral, iniciada em setembro do ano passado, também busca reduzir os riscos de disseminação de pragas agrícolas, prevenindo impactos econômicos, ambientais e sociais.