A Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) reforçou o alerta sobre o uso de drones na aplicação de agrotóxicos no estado. Em nota técnica divulgada recentemente, o órgão orienta produtores rurais e prestadores de serviço a seguirem rigorosamente as normas legais e as boas práticas de aplicação, garantindo segurança operacional, eficácia no controle de pragas e proteção ao meio ambiente.
O uso de drones tem se expandido no campo devido à precisão das aplicações, à redução de desperdícios e à capacidade de alcançar áreas de difícil acesso. Entretanto, a Idaron destaca que o avanço tecnológico deve vir acompanhado de responsabilidade técnica e do cumprimento das exigências legais.
Segundo o gerente de Defesa Vegetal da Idaron, Jessé de Oliveira, é essencial que operadores de drones agrícolas estejam devidamente capacitados e que toda a documentação obrigatória esteja regularizada. Entre as exigências estão o registro da aeronave, autorizações operacionais, receita agronômica quando aplicável e cadastro junto aos órgãos competentes, como ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e a própria Idaron.
A Agência reforça ainda que, nos casos de contratação de empresas terceirizadas, cabe ao produtor rural verificar se o prestador de serviço possui habilitação e regularidade junto aos órgãos de fiscalização. O produtor que contrata prestadores de serviço não legalizados responde solidariamente pelas infrações cometidas e por eventuais danos ambientais decorrentes da não observância das boas práticas de aplicação.
Entre as principais recomendações técnicas estão o planejamento prévio da operação, a inspeção e calibração do drone, o preparo correto da calda em local seguro e o respeito às condições climáticas adequadas — como temperatura inferior a 30 °C, umidade acima de 50% e velocidade do vento entre 3 e 10 km/h — para evitar deriva e contaminação de áreas vizinhas.
A proteção ambiental também é um ponto central das orientações. A Idaron recomenda atenção especial às áreas sensíveis, como corpos d’água e colmeias. Durante o período de floração, as aplicações devem evitar horários de maior atividade das abelhas, e apicultores da região devem ser comunicados previamente.
A segurança dos trabalhadores é outra preocupação destacada. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) é obrigatório durante o preparo e manuseio dos defensivos, assim como a adoção de medidas de higiene após a aplicação. A destinação correta das embalagens vazias — com tríplice lavagem e devolução em postos credenciados — também é exigida por lei.
O presidente da Idaron, Julio Peres, ressalta que a modernização do setor agrícola traz ganhos importantes de eficiência, mas reforça que a tecnologia deve ser utilizada com responsabilidade. “O uso de drones é um avanço significativo para o campo, mas deve sempre ocorrer dentro dos padrões legais e técnicos, assegurando a saúde das pessoas e a preservação ambiental”, afirma.



